Sou a Eva.

O meu trabalho é guiado pela memória do gesto, pela simplicidade das formas e por uma relação íntima com o material. Trabalho com barro como quem regressa a casa, à essência, com respeito, atenção e presença.

Sempre me senti ligada à natureza, talvez porque a minha família vem de uma pequena aldeia no norte de Portugal. Crescer rodeada de ritmos lentos, materiais simples e objetos do quotidiano moldou a forma como vejo, crio e sinto.

O meu primeiro encontro com o barro aconteceu aos dezasseis anos, na Escola Artística António Arroio. Desde o primeiro toque, senti uma conexão imediata. Havia algo ancestral, familiar, quase como uma memória no corpo. Foram três anos de descoberta intensa, durante os quais aprendi a ouvir o material e a confiar no gesto.

Mais tarde, estudei Escultura na Faculdade de Belas-Artes, com especialização em pedra. Trabalhar com um material duro e resistente ensinou-me sobre tempo, paciência e sobre a importância de respeitar a essência da matéria. Mas no último ano, o barro chamou-me de volta. Foi nesse regresso que nasceu o projeto que viria a tornar-se a pomar, sem eu saber tudo o que dele iria florescer.

O início.

a pomar surgiu da minha fascinação pela antiguidade e pelos rituais ancestrais, especialmente os rituais da água e do banho. Sou encantada pela viagem da água, desde a nascente até à casa, e pelos objetos que a acompanham: ânforas, pithoi, vasos feitos para conter, transportar e servir. Objetos simples, essenciais, cheios de gesto e intenção.

Cada peça é feita à mão, criada com um ritmo lento e consciente. Não há séries: cada objeto é único, imperfeito e vivo. As formas ecoam uma linguagem ancestral, onde função e poesia coexistem.

Acredito que os objetos de que nos rodeamos no dia a dia participam nos nossos rituais e podem reconectar-nos com algo mais profundo.

Um regresso ao essencial, através do barro.

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